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Aves da noite (prosinha para os meus desconhecidos)

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Tenho mais conhecidos do que amigos.  Tenho só conhecidos, só, sem amigos? Essa questão não vale a pena viver.  Palavras, expressões: “Boa tarde”, “Como está?”, “Tudo bem!”, “Como está?”, “Costumas vir para aqui?”, “Há quanto tempo!”, “Tudo bem!”, “Cá estamos”, “Vamos andando!”, “Neste momento, estou a dar umas aulas”, “Gosto muito do que você faz em Cedofeita!”, “Podemos combinar um café um dia destes!”. Gestos, caras: Acenos de mão, inclinar da cabeça, sorrisos mais ou menos forçados, um ou outro passou-bem. Mas, se não são amigos, nem irmãos cristãos, sequer, são-me totalmente desconhecidos, sou-lhes totalmente estranho, raro como dizem os hispanofalantes. Enfim, tenho mais desconhecidos do que amigos. Mas não estou só, não, afinal, entre dezenas de desconhecidos. Lembro-me da Marge Simpson, citada por Rita Ferro na epígrafe do romance “Os Filhos da Mãe” que li e amei como um grande amigo no Secundário: “ A stranger is a friend you haven't met”. Tenho imensos desconhecidos...

Aquele miúdo

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Eu era aquele miúdo que se refugiava na biblioteca da escola para se afastar dos parvinhos e parvalhões da turma, da cidade, do mundo - estão a ver que miúdo eu era? Pois continuo aquele miúdo aos quarenta e dois anos. E o mundo em 2026 até está, claro que está, muito pior do que nos melhores anos 1990 da escola c + s de Fânzeres, do colégio dos Salesianos. Nelson Miguel Bandeira, Porto, 21/01/2026 Imagem: reprodução da obra "Andreas Reading" de Edvard Munch (óleo sobre tela, 1882/1883), achada aqui .

Lua e Hippie ou como a arte pode afectar o nosso estado de espírito em 2026

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Não apetece sair da exposição «Estado de Espírito», de Mariana Caló e Francisco Queimadela, na Galeria Municipal do Porto, sobretudo por Lua e Hippie - cheios de espírito e boas «vibes». São anfitriões animais, plenos de «anima» (alma), graça e elegância, espirituais e espirituosos, de «corpo animal», «corpo radial» como também o meu que agora os vê. Lua e Hippie convidam-nos a entrar na exposição «Estado de Espírito», de Mariana Caló e Francisco Queimadela, com curadoria de João Laia, na Galeria Municipal do Porto, até Fevereiro de 2026.      Recebem-nos de orelhas levantadas, descontraídos e brincalhões entre eles, entre eles e os fotógrafos e agora ante os espectadores da galeria. Convidam-nos a descontrairmos do mundo e a imergir de corpo e alma nos elementos - Terra, Água, Ar e Fogo - de que coelhos vivem e artistas e espectadores (sobre)vivem.      A exposição desperta vários sentidos do corpo. É ecológica, observadora e sedutora, prosaica e lírica,...

Amiga viagem

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Para a Sharni, de Sunshine Coast, Austrália Posso perder-me  no mundo  para encontrar as minhas amigas, Emma, Janae. Viajar é travar amizade - Londres pode ser minha amiga, a Europa pode  ser uma nova amiga; o Porto pode ser o melhor amigo da Austrália - partem daqui viajantes - poetas felizes! Nelson Bandeira,  Porto, 16.8.2025

Acerca da declamação de poesia

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As pessoas imaginam que estou a declamar o «Soneto do amor total» para elas - mas elas enganam-se - sempre, como sempre, as pessoas  enganam-se sempre. Estou a recitar Vinicius de Moraes  para ti, que não estás aqui, que nunca te enganas na tua beleza, que estás sempre na minha voz, e que não estás na minha vida,  que não me queres ouvir, jamais suportarias poesia, que não me ouves a dizer todos os versos que são para ti: «Amo-te tanto, meu amor… não cante O humano coração com mais verdade…» Texto e fotografia de Nelson Bandeira.

Como te chamas?

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  « Queres te sentar ao meu lado?» «Como te chamas?» «Miguel» «Que fazes?» «Faço pela vida.» «Que fazes esta noite?» «Entro na noite escura.» «Conheces o Dylan Thomas?» «Não, conheço o romance do Lobo Antunes.» «Sabes o significado do nome Miguel?» «Não. Qual é?» «Como Deus. Aprendi em Introdução aos Estudos Literários.» «Então, estás comigo, estás com Deus...» NMB, Porto, 8.8.2025

Soco no estômago

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A arte ora te leva para uma pequena e logo te dá um soco do estômago.  Se não queres arte, cuida-te. NMB, 4.8.2025, a partir de escultura de Aria Dean Na imagem: escultura de Aria Dean «Pequena Ilha, Soco no Estômago V. 1 (1.1)» , espuma rígida revestida e pintada, patente na exposição «Provas Materiais», Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto, Agosto de 2025