Olha um
Muitas vezes, pequenos-burgueses passivos com medo da própria sombra, achamos que os psicopatas andam por aí nas sombras e nas esquinas, virtuais ou físicas, escondidos, à coca, esperando a melhor chance para raptarem as nossas crianças, para violarem as nossas mulheres, para nos fazerem mal de todas as formas e feitios (vemos muitos, muitos, filmes de terror). Certamente, há desses psicopatas. Que os há, há. Contudo, os maiores psicopatas estão, hoje, à vista de todos, nas “redes sociais”, no Twitter, na televisão, às escâncaras, são presidentes, CEO's, maiorais, tiranos de países e de cidades, ou tiranetes de loja de shopping, deputados e parlamentares, bem-falantes e parlapatões, postos lá pelos povos ou impossíveis de lá tirar pelas mesmas gentes. Até os escolhemos para os temermos masoquistamente ou gozarmos com eles, porque os queremos, no fundo, no fundo, ou por não termos, de facto, alternativas (do mal, o mais). Votamos neles, mas temos às vezes de desligar a televisão ou até de a partirmos à machadada, como contrapsicopatas, porque já não os suportamos mais diariamente, por mais que os adoremos sem ter qualquer noção disso.
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