Só as minhas faltas me pertencem
Foi o que de mais feliz me aconteceu anteontem, na livraria-café
que combate coolmente todos os
domingos para o caneco: a página 42 de Um
outro, Crónica de uma Metamorfose, de Imre Kertész traduzido por Ernesto Rodrigues. Grato copião, copio-lhe
um parágrafo para o meu bloco NAVA (Notes Everything) a abarrotar de letras e
de tretas:
“K., o escritor, fez uma lista de todos os seus bens. «Só as
minhas faltas me pertencem», - escreveu, seguidamente, no fundo da página,
aliás, toda rabiscada com números de telefone.”
Está aqui tudo. Não preciso de mais nada. E não tenho.

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