Um homem do Renascimento, raríssimo, até no Jornal de Letras!



Já há um ror de tempo que não comprava o Jornal de Letras, Artes e Ideias. Ordinariamente, leio-o de fugida, na biblioteca municipal, com uma ou duas paragens entediadas numa página, num título, numa nota de livros saídos e vou sentindo-o, com uma ou outra nobre e pobre excepção, cada vez mais chato e cinzento, repetitivo e sensaborão, demasiado institucional, eivado e uivado dos amores e ódios do sr. José Carlos de Vasconcelos, que fez uma das maiores filhas-da-putice recentes do mesquinho e invejoso meio (literário) português: ignorou, propositadamente, a morte de um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, Baptista-Bastos, muito da casa literário-linguística de Óscar Lopes, dando-lhe apenas uma nota (mal escrita, e cheia de gralhas) como qualquer fait-divers. Foi precisamente pela homenagem a Óscar Lopes, que nada tinha de sectário e mesquinho, como é próprio de um grande humanista universal (“um homem do Renascimento” chama-lhe Isabel Duarte, no ensaio pessoal, quase à maneira do autor de A Busca de Sentido, intitulado A Palavra Toda), que voltei a comprar este jornal. Destaco ainda um novo cronista, Miguel Sanches Neto, que escreve um excelente texto sobre um dos autores muito cá de casa, “Rubem Fonseca: o narrador como atirador”. Atirem-se a ele, pelos menos durante esta rara quinzena outonal que passa.

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