Neblina, dizes se me amas?



Escrevo. A coisa mais certa e convicta num mundo incerto. Escrevo convictamente onde falham todas as convicções. Escrevo também por vaidade, claro, vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Todos o fazemos. Os grandes e os pequenos, os que estão na alegria suprema e os que permanecem na mó de baixo. Escrevo, então, para perguntar e perguntar-me, como Chatwin por esse mundo fora, como Rimbaud na Etiópia, dois dos meus primeiros escritores, o que faço eu aqui. Mas também para dizer, como uma criança carente, como Bruce, como Arthur, eu estou aqui.
Escrevo para me substantivar, numa luta constante contra adjectivos, todavia faço-o neste Porto granítico e lírico que me protege e me mete medo - ou me seduz ou me enoja - mas sempre me apaixona.
Neblina, dizes se me amas?
Há um ror de anos, no primeiro rascunho deste rascunho, pedia-te desculpa. 
Já não te peço desculpa. 
Eu amo-te.

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