Feliz quem é diferente e é diferente mas ai de quem é diferente e é igual




No sempre triste e apagado autocarro que vem da Maia, ouço uma pascácia paspalha rosnar esta frase batida de país cinzentão: 
- Ele é assim, mas é uma pessoa normal. 
Não entendi bem o co-texto e o contexto, mas pode-se imaginar facilmente um.
Deprimo logo? Ataco, antes, a melhor terapia contra a queda no lamaçal.
Só aceitamos a diferença quando ela é quase igual a nós. E então se essa diferença  for mesmo, mesmo, igualzinha, certinha e direitinha, não ofendendo qualquer mãe de Bragança ou de Ermesinde, upa, upa, alto lá que somos os reis da tolerância, a palavra mais proclamada e praticada por quem, no fundo, no fundo, não aceita nada de nada que não passe os limites "aceitáveis", "toleráveis" para si mesmo.
No fundo, poeta verdadeiramente lusíada,

Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho 
Destemperada e a voz enrouquecida, 

E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida, 
O favor com quem mais se acenda o engenho 
Não no dá a pátria, não, que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.


P.S. O título deste post é um roubo em jeito de homenagem ao poeta italiano Sandro Penna.

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