"Palimpsesto - Não há arte sem dívida"



Exposição "Palimpsesto", de Filipa Gonçalves, está entre 16 de Junho e 28 de Julho de 2018 no Espaço Fernando Valle da Editorial Moura Pinto, em Côja, Arganil.

A partir de 16 de Junho, sábado, está aberta ao público, no Espaço Fernando Valle da Editorial Moura Pinto, em Côja, Arganil, a mostra "Palimpsesto – Não há arte sem dívida", de Filipa Gonçalves. 
Filipa Gonçalves nasceu em 1981 e formou-se em Artes Plásticas, vertente de Pintura, na Faculdade de Belas Artes do Porto. Tem uma vasta obra construída desde há cerca de 15 anos para cá, contando já no seu currículo de vida com várias distinções, como, por exemplo, uma Menção Honrosa do Prémio Abel Manta (2008) e uma Menção Honrosa da II Bienal Internacional de Pintura – FRP – de Coimbra (2011).

Sob o mote "Não há arte sem dívida", a artista portuense mostrará agora em Côja como toda a poética é um palimpsesto, sendo construída com base em textos sobre textos, em arte (re)feita sobre arte feita, num diálogo entre inovação e tradição, originalidade e citação, acção e interacção, invenção e reinvenção, desde pelo menos, com mais intensidade, as Vanguardas dos inícios do século XX, embora haja significativas manifestações anteriores dessa mesma atitude estética que remontam ao Renascimento Italiano e ao Barroco.
"Palimpsesto" inserir-se-á, assim, na ideia de contemporaneidade como diálogo, leitura e prisma de reconstrução e desconstrução com o passado artístico, numa postura de reescrita e intertextualidade críticas permanentes com esse tempo outro que, no entanto, também é nosso, apresentando-se assim qualquer obra de arte dos séculos XX e XXI, tempos de formação e vivência(s) de Filipa Gonçalves, como, precisamente, um grande palimpsesto. 
"Devemos sempre muito a muita gente", escreveu Óscar Lopes. "Existimos sobre o anterior", disse essa originalíssima leitora e renovadora da tradição artística chamada Fiama Hasse Pais Brandão, em 1974, na obra "Era". 
Contudo, esse anterior não nos impede de (re)criarmos com mãos e olhar(es) próprio(s), mas, pelo contrário, impulsiona-nos a escrever, pintar, desenhar, isto é, a existirmos sobre o que já existiu com a nossa singularidade, como bem faz Filipa Gonçalves neste também seu "Palimpsesto", que pode ser visto e lido em Côja até 28 de Julho deste ano.

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