Não apetece sair da exposição «Estado de Espírito», de Mariana Caló e Francisco Queimadela, na Galeria Municipal do Porto, sobretudo por Lua e Hippie - cheios de espírito e boas «vibes». São anfitriões animais, plenos de «anima» (alma), graça e elegância, espirituais e espirituosos, de «corpo animal», «corpo radial» como também o meu que agora os vê. Lua e Hippie convidam-nos a entrar na exposição «Estado de Espírito», de Mariana Caló e Francisco Queimadela, com curadoria de João Laia, na Galeria Municipal do Porto, até Fevereiro de 2026. Recebem-nos de orelhas levantadas, descontraídos e brincalhões entre eles, entre eles e os fotógrafos e agora ante os espectadores da galeria. Convidam-nos a descontrairmos do mundo e a imergir de corpo e alma nos elementos - Terra, Água, Ar e Fogo - de que coelhos vivem e artistas e espectadores (sobre)vivem. A exposição desperta vários sentidos do corpo. É ecológica, observadora e sedutora, prosaica e lírica,...
Tenho mais conhecidos do que amigos. Tenho só conhecidos, só, sem amigos? Essa questão não vale a pena viver. Palavras, expressões: “Boa tarde”, “Como está?”, “Tudo bem!”, “Como está?”, “Costumas vir para aqui?”, “Há quanto tempo!”, “Tudo bem!”, “Cá estamos”, “Vamos andando!”, “Neste momento, estou a dar umas aulas”, “Gosto muito do que você faz em Cedofeita!”, “Podemos combinar um café um dia destes!”. Gestos, caras: Acenos de mão, inclinar da cabeça, sorrisos mais ou menos forçados, um ou outro passou-bem. Mas, se não são amigos, nem irmãos cristãos, sequer, são-me totalmente desconhecidos, sou-lhes totalmente estranho, raro como dizem os hispanofalantes. Enfim, tenho mais desconhecidos do que amigos. Mas não estou só, não, afinal, entre dezenas de desconhecidos. Lembro-me da Marge Simpson, citada por Rita Ferro na epígrafe do romance “Os Filhos da Mãe” que li e amei como um grande amigo no Secundário: “ A stranger is a friend you haven't met”. Tenho imensos desconhecidos...
Eu era aquele miúdo que se refugiava na biblioteca da escola para se afastar dos parvinhos e parvalhões da turma, da cidade, do mundo - estão a ver que miúdo eu era? Pois continuo aquele miúdo aos quarenta e dois anos. E o mundo em 2026 até está, claro que está, muito pior do que nos melhores anos 1990 da escola c + s de Fânzeres, do colégio dos Salesianos. Nelson Miguel Bandeira, Porto, 21/01/2026 Imagem: reprodução da obra "Andreas Reading" de Edvard Munch (óleo sobre tela, 1882/1883), achada aqui .
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