Poema à beira da estrada
Para onde caminhas,
caminhante?
Passeias bandeira ou carregas cruz?
Vais sozinho ou bem acompanhado de vários demónios?
És vate, São Tiago ou louco?
Homem ou asno perdido?
Cavalo, lebre ou caracol?
Peixinho banzado ou possível anzol?
Lobo ou lince ibérico?
Cria atacante, bela e medonha
ou espécie em perigo de extinção?
Ministro ou servo da gleba?
Hóspede, convidado ou anfitrião?
Amante escorraçado ou garanhão?
Cigano feirante ou eremita ascético?
És santo, lírico,
ou maluco de todo, diz lá então?Passeias bandeira ou carregas cruz?
Vais sozinho ou bem acompanhado de vários demónios?
És vate, São Tiago ou louco?
Homem ou asno perdido?
Cavalo, lebre ou caracol?
Peixinho banzado ou possível anzol?
Lobo ou lince ibérico?
Cria atacante, bela e medonha
ou espécie em perigo de extinção?
Ministro ou servo da gleba?
Hóspede, convidado ou anfitrião?
Amante escorraçado ou garanhão?
Cigano feirante ou eremita ascético?
Ponto de exclamação, reticências...
Palavra aberta ao futuro das ciências
ou qualquer não-sei-quê de pouca gramática.
Palavra aberta ao futuro das ciências
ou qualquer não-sei-quê de pouca gramática.
Nelson Bandeira, 15 de Maio
de 2020
[Fotografia de Nelson Bandeira, tirada a 4 de Julho de 2020]

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