Michelangelo e Andreas Angelidakis


A arte clássica é feita e exposta para ver à distância,
mesmo que nos aproximemos muito
e até nela aparentemente penetremos 
ou julguemos ilusoriamente penetrar (e.g., o Partenon e a Capela Sistina com todos os frescos de Miguel Ângelo).
 
A arte contemporânea é para a
usarmos e dela abusarmos mais ou menos, i.e., q.b. -
 
no entanto, uma grande distância permanece
na arte com que nos cruzamos 
nos que já foram e são os nossos dias
dos séculos XX e XXI- 1980, 1993, 2025,
com intenção ou por mero acaso -
há barreiras de elite, compreensão e incompreensão,
muitas vezes falta de amor autêntico e paixão, 
não adesão socioeconómica,
onde há pose não há paixão.
 
Usamo-la, até nos podemos sobre ela relaxar, dormir, como numa praia
mas apaixonamo-nos por ela?
 
É nossa? É do meu coração? É posse mais do que pose?
 
De distância a distância nada nos toca verdadeiramente,
e o conhecimento é fugidio, uma visita entre centenas de turistas à Capela Sistina,
um amor fugidio de verão europeu, 
uma Europa que morre numa praia de ruínas (por ex., Praia de Ruínas, um engraçado Partenon de pufes, numa imaginária praia, de Andreas Angelidakis nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, em Maio de 2025)


Nelson Miguel Bandeira,
Porto, 15 de Maio de 2025

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